
Uma habitação vernacular é uma "ciência do concreto". O microclima e as caracteristicas dos recursos naturais que oferecem as diferentes regiões ditaram as formas, os materiais e as técnicas: construções de madiera em zonas florestais; muros de adobe ou de tijolo e cobertas de telha quando o solo é argiloso; telhados de lousa nas zonas rochosas; alvenaria de pedra calcária, grés ou granito de acordo com a natureza do subsolo.
Graças à experiência acumulada pelas gerações anteriores, a arquitectura tradicional também tem em conta os riscos e perigos ligados ao relevo e ao clima: zonas de fácil inundação, com ameaça de avalanches, etc.
Assim, a habitação bioclimática não deve ser uma mera imitação da arquitectura vernacular e deve sim apelar à sua tranquila integração na paisagem e à sua adequação entre a funcionalidade e o uso, assim como na utilização lógica de cada material.
A habitação ecológica é, antes de mais, uma construção que responde a todos os requisitos e necessidades dos seus usuários, que antecipa o futuro ao projectar a evolução da família que a habita e o uso que lhe dará em cada uma das fases da sua vida, isto é, prever as necessidades ao longo do tempo e conceber edificios aos quais sejamos capazes de nos adaptar, sem necessidade de grandes reformas.
A noção de integração num determinado lugar é muito subjectiva e está sujeita a inúmeras interpretações. Tanto no meio rural como no urbano, o projecto de uma habitação ecológica inicia-se sempre pelo estudo do terreno e do seu ambiente mais próximo: a topografia, geografia, geologia, os acessos, a área envolvente, a vegetação existente, o solo, os ventos dominantes, ângulos máximos e mínimos de incidência do sol nas diferentes estações do ano, ...
A análise do microclima e a aplicação dos princípios bioclimáticos são obrigatórios para garantir o conforto térmico à habitação.
Nos climas continentais, com variações térmicas mais acentuadas em função da época do ano, é necessário combinar a melhor eficiência energética à arquitectura do edifício: isolamento térmico reforçado das paredes e das áreas envidraçadas, estanquicidade do ar, etc.
O objectivo de desfrutar de um clima interior saudável, com uma humidade regulada de forma natural, justifica-se nos tempos que correm pelas tantas ameaças à saúde pública. Os arquitectos e os usuários devem ter em conta os acabamentos e sua manutenção aquando da escolha dos materiais de estrutura, dos pavimentos, etc.
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